Quanto consome realmente um ar condicionado
Um ar condicionado de 9 000 BTU consome entre 0,3 e 0,8 kWh por hora de funcionamento. A um preço médio de 0,20 €/kWh, isso representa 6 a 16 cêntimos por hora. Usado oito horas por dia durante um mês de verão, o custo situa-se entre 14 e 38 € na fatura.
A margem é larga por uma razão simples: um aparelho inverter não trabalha sempre ao máximo. Arranca em potência alta para arrefecer a divisão, depois modula e mantém a temperatura com uma fração da potência nominal. O consumo real depende do isolamento da casa, da temperatura escolhida e das horas de uso, muito mais do que da potência escrita na caixa.
Quem quer perceber a sua própria fatura tem de olhar para três números: os BTU do aparelho, o SEER da etiqueta, e a temperatura a que o deixa programado. Os preços de instalação em Lisboa dizem quanto custa comprar. Não dizem quanto custa usar.
O consumo por potência, em números
A tabela abaixo assume um aparelho inverter recente, uma divisão bem dimensionada e uma temperatura de 25 °C no verão. O custo usa 0,20 €/kWh, um valor médio no mercado liberalizado português.
| potência | capacidade de frio | consumo médio | custo por hora | custo mensal (8h/dia) |
|---|---|---|---|---|
| 9 000 BTU | 2,6 kW | 0,3 a 0,8 kWh/h | 0,06 a 0,16 € | 14 a 38 € |
| 12 000 BTU | 3,5 kW | 0,4 a 1,1 kWh/h | 0,08 a 0,22 € | 19 a 53 € |
| 18 000 BTU | 5,3 kW | 0,6 a 1,6 kWh/h | 0,12 a 0,32 € | 29 a 77 € |
| 24 000 BTU | 7,0 kW | 0,8 a 2,2 kWh/h | 0,16 a 0,44 € | 38 a 106 € |
Estes valores só se aplicam a um aparelho bem dimensionado. Um equipamento subdimensionado trabalha ao máximo sem nunca atingir a temperatura pedida, e consome mais do que um modelo maior que modula. O erro custa caro todos os meses. O método de cálculo dos BTU por divisão está descrito em quantos BTU por m² e por divisão.
O sobredimensionamento também penaliza. Um aparelho demasiado potente arranca e pára em ciclos curtos, o que desgasta o compressor e desperdiça energia em cada arranque.
Ler a etiqueta energética sem se enganar
Os aparelhos de ar condicionado até 12 kW usam uma escala própria, que vai de A+++ a D. Não é a escala A a G das máquinas de lavar ou dos frigoríficos, e essa confusão leva muita gente a comprar mal.
Na etiqueta encontram-se dois indicadores que contam de verdade:
- SEER, a eficiência sazonal em arrefecimento. Quanto mais alto, menos consome no verão. Um SEER de 6,1 é correto, acima de 8 é bom.
- SCOP, a eficiência sazonal em aquecimento, útil se usar o aparelho no inverno.
A etiqueta indica ainda o consumo anual em kWh, calculado sobre um número de horas padronizado. Serve para comparar dois modelos entre si, não para prever a sua fatura. O regime de etiquetagem energética em Portugal é acompanhado pela adene.pt.
SEER e SCOP, o que muda na prática
Entre um aparelho SEER 5,0 e um SEER 8,0 com a mesma capacidade, a diferença de consumo ronda os 35 %. Ao longo de dez verões, o modelo mais eficiente devolve largamente o sobrepreço inicial.
A leitura destes indicadores, e as armadilhas dos valores anunciados em folheto, estão detalhadas em perceber o COP e o SCOP. O princípio é o mesmo para uma bomba de calor e para um ar condicionado, porque a máquina é a mesma.

Inverter contra on/off: a diferença na fatura
Um aparelho on/off só sabe fazer duas coisas, ligar o compressor ao máximo ou desligá-lo. Um inverter faz variar a frequência do compressor e ajusta a potência à necessidade real da divisão.
Em utilização contínua, o inverter consome 20 a 40 % menos. A vantagem desaparece se ligar o aparelho vinte minutos por dia, porque nunca chega à fase de modulação onde poupa. O comparativo completo, com preços e níveis de ruído, está em ar condicionado inverter contra on/off.
O gás refrigerante conta
Um detalhe que quase ninguém verifica: o gás refrigerante. O R32 tem melhor rendimento e menor impacto climático que o antigo R410A. Só um técnico com certificação F-gas pode manipular o circuito, como se explica em quem pode instalar ar condicionado em Portugal.

Sete regulações que baixam a fatura
Nenhuma exige obras. Todas se fazem no comando ou em cinco minutos.
- Programe 25 ou 26 °C, não 21 °C. Cada grau a menos aumenta o consumo em 7 a 10 %. Descer de 25 para 21 °C custa cerca de um terço a mais na fatura, para um ganho de conforto discutível.
- Use o modo eco ou automático. Ele deixa a temperatura oscilar ligeiramente em vez de a manter fixa ao décimo, e essa tolerância poupa.
- Limpe os filtros de dois em dois meses no verão. Um filtro entupido obriga o ventilador a trabalhar mais e reduz a troca de calor. O procedimento está em limpar os filtros do ar condicionado.
- Feche estores e cortinas nas horas de sol. Travar o calor antes de entrar custa zero euros. É a medida com melhor retorno de todas.
- Não desligue e ligue a toda a hora. Num inverter, manter a temperatura consome menos do que voltar a arrefecer uma divisão que aqueceu.
- Oriente as lâminas para cima em arrefecimento. O ar frio desce sozinho, e a divisão fica homogénea mais depressa.
- Mantenha a unidade exterior à sombra e desobstruída. Uma unidade ao sol direto perde rendimento, tal como uma unidade encostada a uma parede sem folga.
A manutenção periódica pesa mais do que parece. Um aparelho com carga de gás insuficiente arrefece pior e consome mais, e as obrigações legais estão resumidas em manutenção obrigatória do ar condicionado.
O essencial
O consumo não está na etiqueta da caixa, está na forma como usa o aparelho. Dimensionamento correto, 25 °C no comando, filtros limpos e estores fechados valem mais do que qualquer classe energética. Antes de comprar, calcule a potência de que precisa e peça 3 orçamentos detalhados a técnicos certificados, indicando a área da divisão e a orientação das janelas.