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Ar condicionado para open space: dimensionar sala e cozinha juntas

Porque o open space exige um cálculo à parte

Um espaço aberto sala-cozinha de 35 m² não se dimensiona da mesma forma que um quarto de 35 m². A regra de base de 600 BTU/m², detalhada no nosso guia sobre quantos BTU por divisão, continua válida como ponto de partida, mas o open space soma fontes de calor que uma divisão fechada não tem: fogão, forno, frigorífico e uma circulação de pessoas mais intensa entre as duas zonas.

Ignorar esta diferença é o erro mais comum na compra de um aparelho para este tipo de espaço. Um cálculo que trata a cozinha como uma sala qualquer subestima a potência necessária, e o aparelho nunca chega à temperatura desejada nos dias mais quentes.

Porque a soma simples de áreas não funciona

Somar os m² da sala e da cozinha e aplicar 600 BTU/m² dá um número que parece correto, mas ignora dois fatores próprios do open space. Primeiro, os ganhos de calor da cozinha (forno, placa, frigorífico) não se distribuem de forma uniforme pelo espaço todo: eles concentram-se junto à zona de cozinha e obrigam o ar condicionado a compensar um pico de calor localizado. Segundo, o pé-direito e a ausência de paredes divisórias mudam a forma como o ar circula, o que pode exigir mais unidades para cobrir bem todo o espaço, mesmo com a potência total correta.

Uma cozinha de 14 m² isolada já justifica 12 000 BTU em vez dos 9 000 BTU da regra de base, como referido no artigo sobre o cálculo por divisão. Integrada num open space, esse acréscimo de calor não desaparece: soma-se ao cálculo da sala.

Há ainda um terceiro fator, menos óbvio: a circulação de pessoas entre as duas zonas. Um open space que serve também de zona de refeições recebe mais gente, mais tempo, do que uma sala isolada, o que acrescenta calor corporal ao balanço térmico. Este efeito é pequeno isoladamente, mas soma-se aos outros dois numa casa com uso intenso da cozinha, por exemplo com refeições preparadas para uma família numerosa quase todos os dias.

O método correto para um espaço aberto

O cálculo faz-se em três passos, partindo da mesma lógica da divisão fechada mas com um acréscimo específico à zona de cozinha.

Primeiro, meça a área total do open space (sala + cozinha, comprimento x largura). Segundo, aplique a regra de base de 600 BTU/m² para obter um valor inicial, tal como para uma divisão fechada. Terceiro, acrescente 15 a 25 % de potência à parte correspondente à zona de cozinha, para compensar o calor dos eletrodomésticos, um ajuste que não se aplica ao resto do espaço.

Área total open space BTU base (600/m²) Acréscimo cozinha BTU final recomendado
25 m² 15 000 BTU + 15-20 % 17 500-18 000 BTU
35 m² 21 000 BTU + 15-20 % 24 000-25 000 BTU
45 m² 27 000 BTU + 20-25 % 32 000-34 000 BTU

A orientação solar e a superfície envidraçada, já detalhadas no guia sobre o cálculo por divisão, aplicam-se do mesmo modo ao open space e podem justificar um ajuste adicional de 10 a 20 %.

Um aparelho ou vários: como decidir

Acima de 30-35 m², um único aparelho de parede, mesmo bem dimensionado, tem dificuldade em distribuir o ar de forma uniforme por todo o espaço. Duas soluções resolvem este problema de circulação: um sistema multi-split com uma unidade interior na zona da sala e outra na cozinha, ou um único aparelho canalizável, que distribui o ar por várias bocas de insuflação ao longo do teto.

O multi-split custa menos à partida mas exige duas unidades interiores visíveis. O canalizável é mais discreto (sem unidade visível, só grelhas no teto) mas implica obra de instalação mais complexa e um orçamento mais elevado. O nosso comparativo ar condicionado canalizado ou split detalha os prós e contras de cada opção para este tipo de espaço, e o guia sobre quantas unidades interiores num multi-split ajuda a decidir a repartição entre sala e cozinha.

Escolher um equipamento com boa classificação energética (A++ ou superior) reduz o consumo em espaços que, como o open space, tendem a funcionar mais horas por dia. A etiqueta energética destes aparelhos segue as regras da União Europeia, com informação detalhada disponível em adene.pt.

O orçamento também pesa na escolha. Um multi-split de duas unidades sai, em regra, entre 2 200 e 3 500 € instalado, consoante a potência e a marca. Um canalizável para o mesmo espaço sobe sem dificuldade para 3 500 a 5 500 €, devido à obra de conduta de ar no teto e ao trabalho de acabamento associado. Para um open space onde o teto falso já não é uma opção (apartamento sem margem de pé-direito, por exemplo), o multi-split fica muitas vezes como única alternativa viável.

Exemplos práticos de open space

Um open space de 28 m² (18 m² sala + 10 m² cozinha) virado a norte fica bem servido com um único aparelho de 18 000 BTU, sem necessidade de dividir em duas unidades. Um open space de 40 m² (28 m² sala + 12 m² cozinha) virado a sul, com uma parede de vidro grande, já justifica um multi-split de 12 000 + 12 000 BTU ou um canalizável de 24 000 BTU, para cobrir bem as duas zonas apesar da exposição solar. Um open space de 50 m² num apartamento com pé-direito alto (mais de 2,8 m) sobe facilmente para 30 000-34 000 BTU repartidos por duas ou três unidades.

Estes números são um ponto de partida. Um levantamento térmico feito por um técnico certificado, como recomendado pela ADENE para qualquer projeto de climatização residencial, confirma o valor exato antes da compra.

Posso usar dois aparelhos independentes em vez de um multi-split?
Sim, mas dois monos-split custam mais em instalação e manutenção do que um multi-split com a mesma potência total, sem ganho real de desempenho.
A cozinha precisa sempre de mais BTU do que a sala?
Não sempre, mas o acréscimo de 15 a 25 % é a norma quando a cozinha tem forno e placa a gás ou elétrica, mesmo que a área seja pequena.
Um canalizável arrefece o open space de forma mais uniforme do que um multi-split?
Geralmente sim, porque distribui o ar por várias bocas, mas o custo de instalação é maior e a obra é mais invasiva.

Cada open space tem a sua própria combinação de área, orientação e fontes de calor. Peça 3 orçamentos detalhados a técnicos certificados para confirmar a potência e a arquitetura do sistema antes de decidir.